Idade do Baby Arthur

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sexta-feira, agosto 17, 2007

Homenagem...A um dos meus poetas favoritos...


Aprendi a ler com Drummond e hoje, lendo um jornal de PE, vi que há exatos 20 anos perdíamos este ícone da literatura...É como se fosse um amigo íntimo, pois sempre viajei em todos os textos e na poesia por ele escritos...Abaixo, segue um poema do inesquecível Drummond...






Destruição


Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

segunda-feira, maio 28, 2007

Compartilhando...


Recebi este texto e achei que deveria compartilhar com vcs, pessoas queridas que aqui me visitam...É mais uma forma de refletirmos, nao de termos como exemplo, como o próprio autor diz no final do texto...Fiquei pensando que eu também sou um pouco como o texto fala...Sempre andando sozinha, amo ser do meu jeito...Lembrei que no início da faculdade, alguns 'colegas' diziam que eu era 'do contra' heheh...Isso simplesmente porquê eu sempre expressei minhas idéias...Imagine, década de 90, Pernambuco, falando na sala sobre preconceito, sobre as diferenças sociais, sobre todos os assuntos nao-agradáveis, eu só poderia ser ' do contra'...Mas depois deste texto, vi que nao sou sozinha nesta estatística do contra... Deliciem-se :) Jamine

O caminho que não leva a nada

(Rubem Alves, psicanalista)

Era uma tarde fresca. Estávamos assentados à sombra de um flamboyant na casa do meu primo Tatão, lá em Boa Esperança, jogando conversa fora. Gozado, pela primeira vez essa expressão “jogar conversa fora” chamou a minha atenção. Joga-se fora aquilo que não é para ser guardado. Não se diz “jogar conversa fora” de conversas de negócios entre executivos. Nas conversas de executivos nada é para ser jogado fora. Cada palavra vale dinheiro. Jogar conversa fora é uma brincadeira parecida com soprar bolhas de sabão. As bolhas de sabão são de curta duração. Mas são tão divertidas... Vão-se umas, sopram-se outras. Nietzsche e Alberto Caeeiro faziam filosofia e poesia contemplando as crianças entretidas nessa brincadeira. Quando jogamos conversa fora voltamos a ser crianças: sopramos bolhas com palavras, bolhas que serão logo esquecidas. Pois é. Lá estávamos nós quando, de repente, comecei a sentir um cheiro que me levou para dias da minha infância. A imagem que aquele cheiro me trouxe era tão doida que eu não disse nada. Achei que iriam se rir de mim. Foi quando uma das filhas do Tatão interrompeu a conversa e disse com aquela música pachorrenta do falar mineiro: “Uái, gente, que cheiro de quando estão matando porco...” Ah! Era isso mesmo que estava na minha cabeça. De alguma forma aquele cheiro me levou de volta a uma cena que estava enterrada na minha memória. Quando se mata porco há um cheiro característico: da lenha, do porco morto sendo chamuscado no fogo, do couro do bicho sendo amolecido pela água fervente.

Assim são as imagens poéticas: elas têm o poder de ir lá no fundo da alma, onde moram os esquecimentos. E quando um desses esquecimentos acorda, a gente sente um estremeção no corpo. Essa é a missão da poesia: recuperar os pedaços perdidos de nós.

Pois isso está acontecendo comigo agora, estou sendo visitado por uma imagem emissária do meu passado. Ela me aparece e eu me comovo. Se me comovo é porque eu me pareço com ela. É a imagem de um caminho. Haverá alguma razão para esse aparecimento? Acho que sim. Vou completar 71 anos. Olho para trás, olho para frente... Vejo o meu caminho...

Tenho, na minha pequena sala de estar, uma tela grande, pintada pela D. Marli, mãe da Thais: um caminho no meio da mata. Não se sabe para onde vai porque ele desaparece numa curva. Eu recebi essa tela de presente, depois que D. Marli ficou encantada. Eu me assento no sofá e fico olhando para ela – coisa que não faço com famosas reproduções de Dali e Brueghel. O caminho me faz pensar. Pensar sobre mim mesmo. Penso sobre o caminho que trilhei. Penso sobre o caminho que trilharei, depois da curva...

Sinto o que disse Robert Frost num dos seus poemas: “Duas trilhas bifurcavam num bosque de outono, e eu, viajante solitário, triste por não poder andar por ambos, por longo tempo lá fiquei olhando até onde desapareciam na folhagem. Duas trilhas num bosque bifurcavam e eu – eu fui pela menos pisada, e isso fez toda a diferença”.

Acho que eu fiz o mesmo: preferi sempre a trilha onde poucos andavam. Desde menino eu amei estar sozinho. Gostava de ficar só com os meus pensamentos. Lembro-me do sobradão colonial do meu avô onde passava férias. Eu acordava – todos estavam ainda dormindo – vestia-me e, silenciosamente, para não despertar os adultos, caminhava pelo corredor onde estava o meu quarto, atravessava a sala de jantar, entrava num outro corredor que conduzia à sala de visitas, tomava a escada, eram três lances até o térreo, entrava num corredor que conduzia à enorme porta de entrada da casa, fechada com barras de ferro. Eu retirava as barras, abria a porta, e saia. O sol estava começando a nascer. Lá estava a praça quase deserta com suas tipuanas, ipês e palmeiras. Assentava-me então num banco e ficava ouvindo longamente o canto dos pássaros pretos, sozinho.

A trilha menos pisada é a trilha dos hereges, dos bufões, dos poetas, dos profetas. Esses foram sempre meus melhores amigos. T.S. Eliot tem um aforismo que diz: “Numa terra de fugitivos quem anda na direção contrária parece estar fugindo.” Não sei se a minha era uma terra de fugitivos. Só sei que desde pequeno eu andava ao contrário. Lembro-me de quando vivi numa cidade do interior de Minas onde todo mundo era católico. Eu era protestante. Quando o padre com suas vestes negras chegava ao Grupo e chamava as crianças para a confissão eu tinha de me levantar e dizer: “Eu não vou...” E assim tem sido, através da minha vida. Nunca consegui pertencer a um rebanho fosse qual fosse o seu nome: igreja, clube, partido, escola de pensamento, grupo profissional.

Agora, faz poucos meses, fiquei conhecendo o poeta José Régio. Vou transcrever alguns trechos do seu poema “Cântico Negro”. “’Vem por aqui’ – dizem-me alguns com olhos doces, estendendo-me os braços, e seguros de que seria bom que eu os ouvisse quando me dizem: ‘Vem por aqui’! Eu olho-os com olhos lassos, ( há nos meus olhos ironias e cansaços) e cruzo o braços, e nunca vou por ali. Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos... Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada.Ide!Tende estradas, tendes jardins, tendes canteiros, tendes pátrias, tendes tetos, e tendes regras, e tratados, e filósofos e sábios. Eu tenho a minha Loucura! Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, e sinto espuma, e sangue e cânticos nos meus lábios... Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Que ninguém me diga: ‘vem por aqui’! Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!”

Mas há uma contradição que bem percebo. Não vou pelos caminhos dos outros. Mas ao escrever eu não estarei convidando os que me lêem a seguir o meu caminho? Como se eu lhes dissesse: “Vem por aqui!!” Não, não, não! Não quero transformar minhas caminhadas solitárias em procissões ou comícios. Não quero seguidores. Quero continuar a caminhar sozinho. É bom caminhar sozinho. E o caminhar sozinho não faz caminhos para os outros. O meu caminho é só meu. “Caminhante, não há caminhos”, dizia Antônio Machado. “Os caminhos se fazem ao caminhar...” Cada um tem de fazer o seu próprio caminho. A alma é o caminho. É preciso encontrar esse caminho. Estranho, porque é um caminho que não leva a nada. Mas os cenários à beira do caminho são maravilhosos. Assim, só posso repetir o conselho de D. Juan, o bruxo: “Todos os caminhos conduzem ao mesmo fim. Escolhe, portanto, o caminho do amor”.

quarta-feira, maio 16, 2007

Odisséia de Ser Mae...


Sobre ser mae, cuidar de crianças...No meu curso intensivo de 9 meses de preparaçao, encontrei o texto a seguir (na verdade uma piada). Mas uma mae merece relaxar ;)

AS MÃES TAMBÉM SE ENGANAM...


A gente achou esse texto num blog português superdivertido. Para você rir e relaxar!

"Pára de jogar bola o dia todo e vai estudar se quiser ter um futuro." Mãe de Ronaldo, o Fenômeno
"Menino, por que você sempre reclama do gosto do leite?" Mãe de Louis Pasteur
"Pára de gritar o dia todo!" Mãe de Luciano Pavarotti
"Deixa de brincar com essas maquininhas!" Mãe de Bill Gates
"É a última vez que você rabisca o teto do banheiro." Mãe de Michelângelo
"Como é que meia hora pode ser relativa? Se chegar atrasado à escola vai levar falta." Mãe de Einstein
"Pára de batucar na mesa. Já estou cansada desse barulho." Mãe de Samuel Morse
"Fica quieto de uma vez! Daqui a pouco, vai querer dançar nas paredes." Mãe de Fred Astaire
"Nada de igualdades. Eu sou sua mãe e você é meu filho." Mãe de Karl Marx
"Estou falando com você!Não me respondas com mímica. O gato comeu a sua língua?" Mãe de Charles Chaplin
"Larga os soldadinhos de chumbo e vai estudar francês." Mãe de Napoleão Bonaparte

quarta-feira, abril 26, 2006

ENCERRANDO UM CICLO

Achei este texto lindo e resolvi postar para vcs! Um beijo enorme ;)
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos- não importa o nome que damos, que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações ?
Você pode passar muito tempo se perguntando porque isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, a serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos : seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda, isto o estará apenas envenenando , e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento Ideal”.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa, nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.