quarta-feira, dezembro 20, 2006
English Course - Pictures
I'm glad to study with you! Thanks for this time and I hope to see you soon in the next level!!!
Best Regards,
Jamine
sexta-feira, dezembro 15, 2006
"as pessoas não morrem: elas despertam do sonho da vida" (Raul Seixas)

Este foi um ano difícil em vários sentidos. O principal foi perder pessoas queridas estando á distância!!! Extremamente difícil. Sempre sofremos...Por mais que estejamos preparados. Sendo surpresa ou nao, nao estamos preparados para perder alguém que amamos.
Esta semana, mais precisamente dia 13, recebi a notícia de que minha avó havia falecido. No início, fiquei tranquila...Todos já diziam que isto poderia acontecer. Depois, começei a chorar sem me conformar. Novamente...Como se conformar com a morte?
Minha avó. Uma mulher forte em todos os sentidos. Criou todos os filhos sozinha. Quando meu avó (esposo dela faleceu) meu pai tinha apenas 2 anos! E ela criou todos os filhos.
Sempre me lembro dela e seus rituais, hábitos: terço as 6 da noite (no nordeste 6 é da noite, nao da tarde), fumar o cachimbo...Contar estórias dos filhos quando eram pequenos. Seu amor pelas plantas.
Minha avó teve uma vida de muita luta, mas foi uma vencedora...Em tudo o que fez. É estranho saber que nao vou mais vê-la. Sempre pensei que quando voltasse ao Brasil poderia vê-la e vice-versa. Mas nao sabemos o que a vida nos reserva. Sei que tenho que aceitar. Até porquê, quando conversavamos antes sobre morte, ela me disse que tínhamos que aceitar: os dois lados...Tanto quem fica quanto quem vai. Talvez por isso esteja mais tranquila.
quinta-feira, novembro 30, 2006
Barcelona
Após longos 2 anos estudando espanhol, fiz minha primeira visita a Espanha…Por ironia do destino fui para Barcelona, onde eles não falam o castelhano, idioma ao qual me dediquei este tempo, e sim o Catalão. Esta viagem foi um encontro comigo mesma...
Barcelona foi toda renovada para a realizaçao dos Jogos Olímpicos de 1992 e posteriormente para realização do Fórum em 2004. A cidade ainda tem o clima de ‘obra’no ar...Obra em todos os lugares...Desde ruas, trens até mesmo na preciosa ‘La Sagrada Família’ que, do gênio Gaudí. Aliás...Gaudí é sinônimo para Barcelona. Visitamos o Parque Guell, La Sagrada Família, A Casa Bartló, A casa Milá...A sensação de genialidade só aumenta com a visita a cada obra...Um conceito de arquitetura único. Nesta viagem, soube que este gênio faleceu num trágico acidente: aos 74 anos foi atropelado por um tram (os trens urbanos que circulam nas grandes cidades da Europa). Isso fez com que a cidade passasse mais de 70 anos sem este tipo de transporte!!! Só pro Fórum de 2004 é que os trams foram reativados.
Na Espanha muitas coisas foram familiares para mim: como a comida, a alegria do povo e a temperatura mais agradável. Nos empolgamos com tudo e compramos muitas e muitas lembranças gastrômicas do pais: cava, chouriço, jamón e até mesmo o precioso azeite. Lá, eles utilizam o azeite para tudo: desde o preparo culinário dos alimentos até mesmo em cima do pão, na hora de preparar um ‘bocadilho’que é o típico sanduíche da Catalunha, regiao onde Barcelona está situada.
Lembranças e sensaçoes deliciosas...Coisas que não pude registrar com minha máquina, mas que para sempre estarao gravadas em minha mente: como o vento no Mar Mediterrâneo ou as pessoas maravilhosas que encontramos pelo caminho. Pessoas como o Senhor Javier que cantou para nós um flamenco...Uma linda estória e amor e dor... Já na nossa despedida...E que despedida!!!
No último dia tivemos um típico almoço espanhol...Preparado pelas ‘Madres”....Senhoras que se dedicam ao trabalho (no campo ou na cidade) mas também se dedicam ao preparo dos alimentos. Uma típica “paella’ foi o nosso menu. Com os gambas maravilhosos...Que aqui têm razao de ser...Sim...Quem imaginaria uma ‘paella’ sem os fantásticos gambas?!?
Falando da comida...Em Barcelona eles comem diariamente com bastante fartura! Antes de tudo uma entrada, que eles chamam de ‘vermute’ onde temos azeitonas e outras conservas...Além de pão, é claro! Sim, porquê toda refeição é feita com o pão a mesa. Logo depois, segue a refeição normal...que se constitue do primeiro prato, segundo prato e o postre (sobremesa). Todo este banquete pode ser regado a vinho (até mesmo os caseiros sao maravilhosos) ou mesmo a famosa sangria...Que não deixa de ser vinho, só que agora misturado com açúcar, gelo e pedaços de laranja...Hum...Deliciosa.
Agora já estou a espera da minha próxima visita a Espanha...A terra das touradas, de Gaudí, de Picasso, da sangria, da gastromia maravilhosa, das grandes obras arquitetônicas e de um povo realmente ‘caliente”.
Barcelona foi toda renovada para a realizaçao dos Jogos Olímpicos de 1992 e posteriormente para realização do Fórum em 2004. A cidade ainda tem o clima de ‘obra’no ar...Obra em todos os lugares...Desde ruas, trens até mesmo na preciosa ‘La Sagrada Família’ que, do gênio Gaudí. Aliás...Gaudí é sinônimo para Barcelona. Visitamos o Parque Guell, La Sagrada Família, A Casa Bartló, A casa Milá...A sensação de genialidade só aumenta com a visita a cada obra...Um conceito de arquitetura único. Nesta viagem, soube que este gênio faleceu num trágico acidente: aos 74 anos foi atropelado por um tram (os trens urbanos que circulam nas grandes cidades da Europa). Isso fez com que a cidade passasse mais de 70 anos sem este tipo de transporte!!! Só pro Fórum de 2004 é que os trams foram reativados.
Na Espanha muitas coisas foram familiares para mim: como a comida, a alegria do povo e a temperatura mais agradável. Nos empolgamos com tudo e compramos muitas e muitas lembranças gastrômicas do pais: cava, chouriço, jamón e até mesmo o precioso azeite. Lá, eles utilizam o azeite para tudo: desde o preparo culinário dos alimentos até mesmo em cima do pão, na hora de preparar um ‘bocadilho’que é o típico sanduíche da Catalunha, regiao onde Barcelona está situada.
Lembranças e sensaçoes deliciosas...Coisas que não pude registrar com minha máquina, mas que para sempre estarao gravadas em minha mente: como o vento no Mar Mediterrâneo ou as pessoas maravilhosas que encontramos pelo caminho. Pessoas como o Senhor Javier que cantou para nós um flamenco...Uma linda estória e amor e dor... Já na nossa despedida...E que despedida!!!
No último dia tivemos um típico almoço espanhol...Preparado pelas ‘Madres”....Senhoras que se dedicam ao trabalho (no campo ou na cidade) mas também se dedicam ao preparo dos alimentos. Uma típica “paella’ foi o nosso menu. Com os gambas maravilhosos...Que aqui têm razao de ser...Sim...Quem imaginaria uma ‘paella’ sem os fantásticos gambas?!?
Falando da comida...Em Barcelona eles comem diariamente com bastante fartura! Antes de tudo uma entrada, que eles chamam de ‘vermute’ onde temos azeitonas e outras conservas...Além de pão, é claro! Sim, porquê toda refeição é feita com o pão a mesa. Logo depois, segue a refeição normal...que se constitue do primeiro prato, segundo prato e o postre (sobremesa). Todo este banquete pode ser regado a vinho (até mesmo os caseiros sao maravilhosos) ou mesmo a famosa sangria...Que não deixa de ser vinho, só que agora misturado com açúcar, gelo e pedaços de laranja...Hum...Deliciosa.
Agora já estou a espera da minha próxima visita a Espanha...A terra das touradas, de Gaudí, de Picasso, da sangria, da gastromia maravilhosa, das grandes obras arquitetônicas e de um povo realmente ‘caliente”.
Barcelona II
segunda-feira, novembro 27, 2006
Berlim
A Alemanha se reinventou após a segunda guerra mundial. Berlin é o espelho disso: uma cidade que mescla o novo e o velho. Onde as lembranças do mal tempo convivem com a modernidade e a organização deste povo extremamente metódico.
Assim como Munique, Berlim tem um sistema de transporte maravilhoso. Os trams (ou S-Bahn) são os metrôs de superficie e o Metrô que fica no subsolo é o chamado U-Bahh. Todos sao eficientes e interligados com o sistema de ônibus.
Curtimos a cerveja, inclusive a ‘Berliner’ que é típica da cidade...Uma delícia de 500ml. As cervejas em geral sao servidas em canecas ou grandes copos...Nada pequenino como estamos acostumados por aqui, na Bélgica...A impressão é de mais ‘quantidade’e pouca ‘qualidade’...Mas acreditem...Até esta qualidade é maravilhosa...
Visitamos um campo de concentraçao próximo a cidade...Uma lembrança triste da guerra. Neste campo, mais de 20 mil judeus morreram durante a segunda guerra. Ele fica há 60 km de Berlin e é uma parada obrigatória para quem gosta de história. Passamos o dia lá...A experiência é ao mesmo tempo estarrecedora e enrriquecedora...Em pensar que seres humanos cometeram atos tão insanos...Experiências com humanos, morte em fornos, pessoas tratadas como lixo...Enfim...Foi uma parada para reflexão...
Dentro da grande Berlin, tem uma igreja que foi bombardeada durante a guerra e permanece assim até hoje, como uma lembrança deste período.
Berlin, como toda cidade grande, nao pode ser conhecida em poucos dias, mas cada cantinho guarda uma nova surpresa, uma nova descoberta...Amamos e esperamos voltar em breve para vivenciar mais um pouco os encantos desta cidade.
Assim como Munique, Berlim tem um sistema de transporte maravilhoso. Os trams (ou S-Bahn) são os metrôs de superficie e o Metrô que fica no subsolo é o chamado U-Bahh. Todos sao eficientes e interligados com o sistema de ônibus.
Curtimos a cerveja, inclusive a ‘Berliner’ que é típica da cidade...Uma delícia de 500ml. As cervejas em geral sao servidas em canecas ou grandes copos...Nada pequenino como estamos acostumados por aqui, na Bélgica...A impressão é de mais ‘quantidade’e pouca ‘qualidade’...Mas acreditem...Até esta qualidade é maravilhosa...
Visitamos um campo de concentraçao próximo a cidade...Uma lembrança triste da guerra. Neste campo, mais de 20 mil judeus morreram durante a segunda guerra. Ele fica há 60 km de Berlin e é uma parada obrigatória para quem gosta de história. Passamos o dia lá...A experiência é ao mesmo tempo estarrecedora e enrriquecedora...Em pensar que seres humanos cometeram atos tão insanos...Experiências com humanos, morte em fornos, pessoas tratadas como lixo...Enfim...Foi uma parada para reflexão...
Dentro da grande Berlin, tem uma igreja que foi bombardeada durante a guerra e permanece assim até hoje, como uma lembrança deste período.
Berlin, como toda cidade grande, nao pode ser conhecida em poucos dias, mas cada cantinho guarda uma nova surpresa, uma nova descoberta...Amamos e esperamos voltar em breve para vivenciar mais um pouco os encantos desta cidade.
Check Point Charlie...Aqui as pessoas passavam do lado ocidental (dominado pelos EUA e aliados) para o oriental ( dominado pela ex- URSS)
As lembrancas da guerra...Igreja bombardeada durante este periodo permanece como icone...Isso e para que ninguem esquecer o que aconteceu.Lembrancas da adolescencia...Esta e especial para as amigas deste periodo
Os fornos onde as pessoas eram queimadas!!
segunda-feira, outubro 30, 2006
Halloween...

Uma vez que entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e 1 de novembro, ocorria a noite sagrada (hallow evening, em inglês) acredita-se que assim se deu origem ao nome atual da festa: Hallow Evening -> Hallowe'en -> Halloween. Rapidamente se conclui que o termo "Dia das Bruxas" não é utilizado pelos povos de língua inglesa, sendo esta uma designação apenas dos povos de língua oficial portuguesa.
A relação da comemoração desta data com as bruxas propriamente ditas, terá começado na Idade Média no seguimento das perseguições incitadas por líderes políticos e religiosos, sendo conduzidos julgamentos pela Inquisição, com o intuito de condenar os homens ou mulheres que fossem considerados curandeiros e/ou pagãos. Todos os que fossem alvo de tal suspeita eram designados por bruxos ou bruxas, com elevado sentido negativo e pejorativo, devendo ser julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira nos designados autos-de-fé.
Essa designação se perpetuou e a comemoração do halloween, levada até aos Estados Unidos pelos emigrantes irlandeses (povo de etnia e cultura celta) no Século XIX, ficou assim conhecida como "dia das Bruxas".
Fonte: winkipedia...
Mas melhor do que falar...E curtir o Halloween...E la se vao as fotos!!!

As Bruxas soltas...Livres e leves dancando...
A confraria dos fantasmas, bruxas e afins reunida...

domingo, outubro 22, 2006
Texto interessante...
Recebi este texto de uma pessoa querida. Fiz questao de publicar no blog para que mais e mais pessoas leiam e tenham acesso a informaçao! Boa Leitura.
O texto é livro mais recente do Frei Betto "A Mosca Azul - reflexão sobre o poder".
"Sempre lutei do lado certo e perdi todas as batalhas", declarou Antônio Callado em sua última entrevista.
(...) Minha esperança não se ancora em teorias políticas, ideologias ou promessas eleitorais. Tem raiz ética: mais que qualquer corrupção, envergonha-me, como ser humano, a miséria coletiva. Todos têm direito a uma vida digna. A desigualdade social me repugna. É uma ofensa à condição humana.
- "A mosca azul", p. 127
O que é ser militante de esquerda? É manter viva a indignação e engajar-se em prol de mudanças que façam cessar a marginalização e a exclusão. Segundo o critério de Norberto Bobbio, jamais aceitar a desigualdade social como tão natural quanto o dia e a noite, com faz a direita. É uma aberração o contraste entre a opulência e a miséria. Ninguém escolhe ser pobre, sobreviver privado de bens elementares à dignidade, como alimentação, saúde, educação, moradia e trabalho. O bicho que Manuel Bandeira viu revirar o lixo, e descobriu tratar-se de um homem, é o resultado de uma estrutura social injusta.
- "A mosca azul", p. 148
Trechos do livro "A mosca azul", cap. XIV
Por Frei Betto
Existe um modelo de sociedade hegemônico, anglo-saxônico, que nos é imposto como ideal. Não temos a possibilidade de visualizar novos modelos históricos, tamanha a hegemonia desse modelo neoliberal. Mas podemos imaginar o que aconteceria se a população da China tivesse, hoje, o padrão de vida americano, com tantos carros quanto os EUA. Significaria, no mínimo, o fim da camada de ozônio. Portanto, o esforço de pensar um novo modelo de convivência social impõe-se como desafio e necessidade.
O neoliberalismo teve como parteiro o Consenso de Washington - a globalização do mercado "livre" (...) Ele apregoa a exclusão do Estado da produção de riqueza e da administração de serviços. Ao Estado caberia zelar pelos interesses privados, defender o patrimônio particular, dirimir contendas e distribuir o excedente. Sobretudo, manter ativas as forças policiais e militares dos "sacrossantos direitos" do capital privado, assegurando ao mercado predominância sobre as demandas sociais. Assim, quanto mais se transferem instituições da esfera pública às mãos da iniciativa privada, tanto mais se considera o Estado "moderno". Privatizar, eis o fundamento do neoliberalismo.
A onda de privatizações submerge também corações e mentes. (...) Meras concessões públicas, como rádios e canais de TV, são tratadas por seus diretores como coisa privada, e ainda se queixam quando o governo requisita o horário para prestar esclarecimentos à nação. Diante da impunidade reinante, há quem privatize, a seu modo, a lei e a Justiça, votando a favor do comércio de armas, linchando suspeitos, massacrando prisioneiros ou exterminando crianças. A chacina da Candelária (1993) e o massacre de povo da rua em São Paulo (2004) são retratos óbvios de uma sociedade que se recusa a encarar os frutos amargos de sua lógica modernizante.
Privatiza-se inclusive a generosidade nesta nação em que vigora um nicho de cultura que considera solidariedade com os pobres um sentimento perigoso e defesa dos direitos humanos, crime que favorece bandidos.
(...)
O neoliberalismo não propõe a inclusão de todos no mercado, e sim a reciclagem e a diversificação da produção para provocar o aumento de consumo dos que já estão no mercado - os que trazem em mãos a renda concentrada. Quem está fora deve ser mantido à distância, controlado, eventualmente assistido por medidas políticas compensatórias, como propõe o Banco Mundial. É o modelo shopping-center de sociedade: ilhas de opulência e consumo protegidas por rigoroso sistema de segurança para evitar que a turba desprovida de renda quebre o encanto dos que pensam os direitos sociais para si e não para todos.
O neoliberalismo reduziu drasticamente as taxas de crescimento de todos os países do mundo; fracassou quanto à distribuição de renda e ao aumento do poder aquisitivo; criou um verdadeiro apartheid econômico e social. Agora, no século XXI, a segregação dispensa chicote e polícia, basta renda, ou melhor, a falta dela, a pobreza endêmica, a vida encerrada no círculo infernal da necessidade imediata - o pão, um chão onde deitar, a comida dos filhos, o confinamento imposto pela miséria, a liberdade supressa, a voz calada, a morte à espreita, quase bem-vinda.
(...) o desemprego corroendo as vigas do proletariado industrial, o pobretariado recortado em bóias-frias, trabalhadores ocasionais, informais, ambulantes. A aranha dependurada no teto por um único fio: o salário. Sem ele a vida não subsiste no sistema. No entanto, ele escasseia, faz-se raridade, preciosidade. Trata-se de uma progressiva e silenciosa eutanásia, praticada pelos tecnocratas que se gabam de seus diplomas das universidades dos EUA.
(...)
Se o capitalismo transforma tudo em mercadoria, bens e serviços, incluindo a força de trabalho, o neoliberalismo o reforça, mercantilizando serviços essenciais, como sistemas de saúde e educação, fornecimento de água e energia, sem poupar os bens simbólicos - a cultura é reduzida a mero entretenimento; a arte passa a valer, não pelo valor estético da obra, mas pela fama do artista; a religião é pulverizada em modismos e atrelada à prosperidade individual; as singularidades étnicas encaradas como folclore; a dieta alimentar é tiranicamente controlada pelas promessas de esbelteza; os desejos inconfessáveis são manipulados; as relações afetivas condicionadas pela glamourização das formas e estimula-se a busca do elixir da eterna juventude e da imortalidade através de sofisticados recursos tecnocientíficos que prometem saúde perene e beleza exuberante.
Tudo isso restrito a um único espaço: o mercado, equivocadamente adjetivado de "livre". Nem o Estado escapa, reduzido a mero instrumento dos setores dominantes, como tão bem analisou Marx. Sim, certas concessões são feitas às classes média e popular, desde que não afetem as estruturas do sistema e nem reduzam a acumulação da riqueza em mãos de uma minoria.
Muitos consideram o neoliberalismo estágio avançado da civilização, assim como os contemporâneos de Aristóteles encaravam a escravidão um direito natural e os teólogos medievais viam na mulher um ser ontologicamente inferior ao homem. (...)
Esse modelo neoliberal de desenvolvimento econômico não é capaz de integrar os pobres, livrando-os da pobreza. A soberania das leis do mercado acentua o fenômeno da criação de duas nações no seio de um mesmo país: de um lado, os privilegiados; do outro, a massa de assalariados e desassalariados sem qualificação nem competência para afrontar a concorrência internacional, como alerta Robert Solow, prêmio Nobel de Economia.
(...)
"Para que não se possa abusar do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder", observa Montesquieu. Há, agora, uma supragoverno invisível, porém real, ao qual nenhum outro poder se opõe: os organismos multilaterais e as empresas transnacionais responsáveis pelo processo de globocolonização. Finda a ameaça comunista, o capitalismo já não requer a democracia para justificar-se. Basta-lhe esse simulacro de liberdade democrática que permite ao voto designar quem ocupa os cargos eletivos, sem que se produza qualquer modificação no rumo imposto pelo supragoverno. Este transforma o Estado em mero agente de extorsão nacional, através da cascata ascendente dos impostos, de modo a transferir sempre mais riqueza à elite, detentora dos títulos da dívida pública. Entregam-se os ovos de ouro e, junto, a galinha.
(...)
Expostos à má qualidade dessa mídia eletrônica que nos oferta felicidade em frascos de perfume e eletrodomésticos, alegria em refrigerantes e enlatados, já não há mais espaço para curtir o que nos resta da infância. Perdemos a capacidade de sonhar sem ganhar em troca senão o vazio, a perplexidade, a perda de identidade. Em doses químicas, a felicidade nos parece mais viável que percorrer o instigante caminho da educação da subjetividade. Mercantilizam-se as relações conjugais e de parentesco e amizade. Nesse jogo, como nos filmes de Hollywood, quem não for esperto e despudoradamente cruel, morre.
O texto é livro mais recente do Frei Betto "A Mosca Azul - reflexão sobre o poder".
"Sempre lutei do lado certo e perdi todas as batalhas", declarou Antônio Callado em sua última entrevista.
(...) Minha esperança não se ancora em teorias políticas, ideologias ou promessas eleitorais. Tem raiz ética: mais que qualquer corrupção, envergonha-me, como ser humano, a miséria coletiva. Todos têm direito a uma vida digna. A desigualdade social me repugna. É uma ofensa à condição humana.
- "A mosca azul", p. 127
O que é ser militante de esquerda? É manter viva a indignação e engajar-se em prol de mudanças que façam cessar a marginalização e a exclusão. Segundo o critério de Norberto Bobbio, jamais aceitar a desigualdade social como tão natural quanto o dia e a noite, com faz a direita. É uma aberração o contraste entre a opulência e a miséria. Ninguém escolhe ser pobre, sobreviver privado de bens elementares à dignidade, como alimentação, saúde, educação, moradia e trabalho. O bicho que Manuel Bandeira viu revirar o lixo, e descobriu tratar-se de um homem, é o resultado de uma estrutura social injusta.
- "A mosca azul", p. 148
Trechos do livro "A mosca azul", cap. XIV
Por Frei Betto
Existe um modelo de sociedade hegemônico, anglo-saxônico, que nos é imposto como ideal. Não temos a possibilidade de visualizar novos modelos históricos, tamanha a hegemonia desse modelo neoliberal. Mas podemos imaginar o que aconteceria se a população da China tivesse, hoje, o padrão de vida americano, com tantos carros quanto os EUA. Significaria, no mínimo, o fim da camada de ozônio. Portanto, o esforço de pensar um novo modelo de convivência social impõe-se como desafio e necessidade.
O neoliberalismo teve como parteiro o Consenso de Washington - a globalização do mercado "livre" (...) Ele apregoa a exclusão do Estado da produção de riqueza e da administração de serviços. Ao Estado caberia zelar pelos interesses privados, defender o patrimônio particular, dirimir contendas e distribuir o excedente. Sobretudo, manter ativas as forças policiais e militares dos "sacrossantos direitos" do capital privado, assegurando ao mercado predominância sobre as demandas sociais. Assim, quanto mais se transferem instituições da esfera pública às mãos da iniciativa privada, tanto mais se considera o Estado "moderno". Privatizar, eis o fundamento do neoliberalismo.
A onda de privatizações submerge também corações e mentes. (...) Meras concessões públicas, como rádios e canais de TV, são tratadas por seus diretores como coisa privada, e ainda se queixam quando o governo requisita o horário para prestar esclarecimentos à nação. Diante da impunidade reinante, há quem privatize, a seu modo, a lei e a Justiça, votando a favor do comércio de armas, linchando suspeitos, massacrando prisioneiros ou exterminando crianças. A chacina da Candelária (1993) e o massacre de povo da rua em São Paulo (2004) são retratos óbvios de uma sociedade que se recusa a encarar os frutos amargos de sua lógica modernizante.
Privatiza-se inclusive a generosidade nesta nação em que vigora um nicho de cultura que considera solidariedade com os pobres um sentimento perigoso e defesa dos direitos humanos, crime que favorece bandidos.
(...)
O neoliberalismo não propõe a inclusão de todos no mercado, e sim a reciclagem e a diversificação da produção para provocar o aumento de consumo dos que já estão no mercado - os que trazem em mãos a renda concentrada. Quem está fora deve ser mantido à distância, controlado, eventualmente assistido por medidas políticas compensatórias, como propõe o Banco Mundial. É o modelo shopping-center de sociedade: ilhas de opulência e consumo protegidas por rigoroso sistema de segurança para evitar que a turba desprovida de renda quebre o encanto dos que pensam os direitos sociais para si e não para todos.
O neoliberalismo reduziu drasticamente as taxas de crescimento de todos os países do mundo; fracassou quanto à distribuição de renda e ao aumento do poder aquisitivo; criou um verdadeiro apartheid econômico e social. Agora, no século XXI, a segregação dispensa chicote e polícia, basta renda, ou melhor, a falta dela, a pobreza endêmica, a vida encerrada no círculo infernal da necessidade imediata - o pão, um chão onde deitar, a comida dos filhos, o confinamento imposto pela miséria, a liberdade supressa, a voz calada, a morte à espreita, quase bem-vinda.
(...) o desemprego corroendo as vigas do proletariado industrial, o pobretariado recortado em bóias-frias, trabalhadores ocasionais, informais, ambulantes. A aranha dependurada no teto por um único fio: o salário. Sem ele a vida não subsiste no sistema. No entanto, ele escasseia, faz-se raridade, preciosidade. Trata-se de uma progressiva e silenciosa eutanásia, praticada pelos tecnocratas que se gabam de seus diplomas das universidades dos EUA.
(...)
Se o capitalismo transforma tudo em mercadoria, bens e serviços, incluindo a força de trabalho, o neoliberalismo o reforça, mercantilizando serviços essenciais, como sistemas de saúde e educação, fornecimento de água e energia, sem poupar os bens simbólicos - a cultura é reduzida a mero entretenimento; a arte passa a valer, não pelo valor estético da obra, mas pela fama do artista; a religião é pulverizada em modismos e atrelada à prosperidade individual; as singularidades étnicas encaradas como folclore; a dieta alimentar é tiranicamente controlada pelas promessas de esbelteza; os desejos inconfessáveis são manipulados; as relações afetivas condicionadas pela glamourização das formas e estimula-se a busca do elixir da eterna juventude e da imortalidade através de sofisticados recursos tecnocientíficos que prometem saúde perene e beleza exuberante.
Tudo isso restrito a um único espaço: o mercado, equivocadamente adjetivado de "livre". Nem o Estado escapa, reduzido a mero instrumento dos setores dominantes, como tão bem analisou Marx. Sim, certas concessões são feitas às classes média e popular, desde que não afetem as estruturas do sistema e nem reduzam a acumulação da riqueza em mãos de uma minoria.
Muitos consideram o neoliberalismo estágio avançado da civilização, assim como os contemporâneos de Aristóteles encaravam a escravidão um direito natural e os teólogos medievais viam na mulher um ser ontologicamente inferior ao homem. (...)
Esse modelo neoliberal de desenvolvimento econômico não é capaz de integrar os pobres, livrando-os da pobreza. A soberania das leis do mercado acentua o fenômeno da criação de duas nações no seio de um mesmo país: de um lado, os privilegiados; do outro, a massa de assalariados e desassalariados sem qualificação nem competência para afrontar a concorrência internacional, como alerta Robert Solow, prêmio Nobel de Economia.
(...)
"Para que não se possa abusar do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder", observa Montesquieu. Há, agora, uma supragoverno invisível, porém real, ao qual nenhum outro poder se opõe: os organismos multilaterais e as empresas transnacionais responsáveis pelo processo de globocolonização. Finda a ameaça comunista, o capitalismo já não requer a democracia para justificar-se. Basta-lhe esse simulacro de liberdade democrática que permite ao voto designar quem ocupa os cargos eletivos, sem que se produza qualquer modificação no rumo imposto pelo supragoverno. Este transforma o Estado em mero agente de extorsão nacional, através da cascata ascendente dos impostos, de modo a transferir sempre mais riqueza à elite, detentora dos títulos da dívida pública. Entregam-se os ovos de ouro e, junto, a galinha.
(...)
Expostos à má qualidade dessa mídia eletrônica que nos oferta felicidade em frascos de perfume e eletrodomésticos, alegria em refrigerantes e enlatados, já não há mais espaço para curtir o que nos resta da infância. Perdemos a capacidade de sonhar sem ganhar em troca senão o vazio, a perplexidade, a perda de identidade. Em doses químicas, a felicidade nos parece mais viável que percorrer o instigante caminho da educação da subjetividade. Mercantilizam-se as relações conjugais e de parentesco e amizade. Nesse jogo, como nos filmes de Hollywood, quem não for esperto e despudoradamente cruel, morre.
domingo, outubro 01, 2006
Sobre o outono...

A primeira vez que presencio o milagre do outono...Incrivel como em pouco tempo a paisagem mudou...Sim...Do verde esplendoroso da primavera agora passamos ao amarelo do outono...As folhas caindo...O tempo passando.
Nos ultimos dias senti muita dor interna, os acontecimentos foram dificeis...Mas, como tudo passa, ja estou melhor e pronta para os novos desafios deste mundo louco...O tempo cura tudo...Incrivel como as vezes nossa dor parece que nao vai passar...Mas o tempo se encarrega de faze-la menor. E assim 'e a vida...
Sobre a dor...

Este fim de semana seria para ser mais um tranquilo, onde eu poderia usurfruir da calma de viver num país onde tudo é previsível...Mas fui pega de surpresa por uma notícia do Brasil...Uma grande amiga se foi. Estou muito triste...
Distante de todos, dos amigos...Das pessoas que gostaria de compartilhar este momento. Mas assim é a vida...Fazemos escolhas e elas repercutem em nossos momentos...Sejam eles de solidao ou nao. Sei que a perda faz parte do nosso caminho neste mundo...Mas ao mesmo tempo ainda estou com um aperto enorme no peito...Acordando assustada, suspirando em momentos que parecem infinitos. Está doendo.
Sei que em todos os momentos aproveitei ao máximo....Melhor, sei que, com sua sede de viver, ela aproveitou o máximo a passagem: iluminou a vida de todos com alegria e paz. Minha amiga...Desejo que a paz esteja em seu coraçao neste momento...No mundo espiritual sei que você continuará sendo uma luz...Pois você foi assim durante todo o período físico...No plano espiritual isso irá se repetir.
Sei que todas as famílias estao sofrendo...E o que podemos fazer é rezar e pensar em paz para o coraçao delas.
Continua doendo e sei que só o tempo para curar.
quarta-feira, setembro 20, 2006
ESCOLA DE INGLES
sábado, agosto 26, 2006
Itália - Veneza (Ilha de Murano)
Apenas 30 minutos de Veneza, utilizando vaporetto, chega-se a Ilha de Murano. A principal atraçao desta cidade sao os vidros fabricados por mestres na arte do vidro. Sao coisas lindas, peças únicas, peças repetidas, pequenas, grandes...Todos os tipos e todos os gostos!
Lojinhas de vidro...Todos os lados. Fomos pra ver o museu do vidro, mas como estava fechado (acredite...quarta-feira do verao fechado!!!) terminamos por ficar conhecendo as lojinhas...Os preços sao iguais e algumas vezes, mais caros que em veneza. Entao, em Murano deve-se comprar coisas 'originais' e em Veneza você compra as lembrancinhas normais.
Nos canais de Murano.
Lojinhas de vidro...Todos os lados. Fomos pra ver o museu do vidro, mas como estava fechado (acredite...quarta-feira do verao fechado!!!) terminamos por ficar conhecendo as lojinhas...Os preços sao iguais e algumas vezes, mais caros que em veneza. Entao, em Murano deve-se comprar coisas 'originais' e em Veneza você compra as lembrancinhas normais.Nos canais de Murano.
Mais uma vista dos canais de Murano.
sexta-feira, agosto 25, 2006
Itália - Veneza
Veneza é única...Para se perder, para se apaixonar, para viver. Posso falar tudo sobre esta cidade que nao vai significar nada. Cada um tem sua estória pessoal sobre esta cidade. O que tem que fazer: é ir, ver e crer. Uma coisa apaixonante.
Uma vista de cima da Basílica de San Marco com o grande canal ao fundo...Dá pra nao se apaixonar?
Uma vista de cima da Basílica de San Marco com o grande canal ao fundo...Dá pra nao se apaixonar?
Ah, e se perder nao é problema na cidade...A melhor forma de andar é pelos canais ou mesmo, se escolher a rua, buscar se orientar pela memória...Nada de mapas ou placas. Placa que dá pra entender esta minha afirmaçao ;)
A gôndola...
Vista do grande canal com a vista da Basílica dei Frari.
As pontes... Apenas uma das belas...
Uma vista da noite...Bonita em todas as horas!!
Passeando no canal de vaporeto...Nao, nao andamos de gôndola...Achei caro, anti-romântico e comercial. Mais detalhes só pessoalmente *R*R*
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